"Para acompanhar-vos, deixo uma linda trilha sonora, digna das melhores lembranças e parte de um dos meus filmes preferidos "Em algum lugar do passado" (1980), Somewhere in time, composta por John Barry, tornou-se uma das mais bem-sucedidas trilhas de todos os tempos, sendo também uma de suas obras mais românticas e sensíveis. Apreciem..."
Depois de semanas de chuva, faz um lindo domingo de sol lá fora, e aqui dentro
de meu coração, eu parei o tempo, quero aproveitar o calor e a luz que a
natureza oferece nesta manhã para apaziguar algumas memórias.
Um dia, ví em um filme que todos temos uma máquina do tempo, para o passado nosso transporte são as lembranças, para o futuro, os sonhos.
Tem tanta coisa que imaginamos ter perdido, tantos detalhes que deixamos pra trás, tantos sonhos que abandonamos. É como se em cada um deles tivéssemos deixado parte de nossa essência e fossemos ligados a ela por um fino cordão, que vira e mexe te chama a reflexão.
Está certo que algumas lembranças são mesmo dolorosas, muito, e alguns eventos do passado gostaríamos de ter o poder de mudar e dar outro rumo, oportunidades perdidas, amores deixados, amizades esquecidas, pessoas importantes que a vida levou. Tem coisas, que nunca mais vamos resgatar.
As lembranças são assim mesmo, basta que algo nos toque, como uma música, uma palavra, um cheiro, um lugar, um objeto ou até mesmo uma fisionomia que relembre alguém de nossa história, é como se parássemos o tempo, e ali naquela fenda, revivêssemos todas as sensações possíveis daquele momento, com uma única diferença, sem toque, sem cheiro, sem calor, preenchido por lágrimas, um certo vazio e uma dor muitas vezes insuportável...
Ah, vocês hão de concordar, a saudade dói demais, e perpetua quando achamos que não fizemos o tempo vale à pena.
Deixei pra traz muitas coisas valiosas, algumas perdas irreparáveis, amores que deveria ter cultivado, oportunidades que deveria ter agarrado e amizades que jamais serão as mesmas, uma porção dessas coisas eu agi com pura imaturidade. É, a idade tem mesmo suas vantagens.
Tive muitos motivos pra abandonar alguns deles, ilusão, rejeição, cuidado próprio e em alguns momentos até um propósito de mudança. É inevitável esse movimento, afinal para crescer, temos que abrir espaço, e só há uma forma pra fazer isso, deixar o que não nos serve mais, mesmo que doa, mesmo que isso soe como uma eterna rejeição em nossas histórias, mas nesse momento é preciso que olhemos pra tudo com clareza, com amor e com alma, porque só assim percebemos que a forma como aquelas coisas andavam, já não nos faziam mais sentido, ou porque já era pouco, ou porque precisávamos mesmo nos cuidar e tem horas que a única pessoa que nos pega no colo e nos cuida, somos nós mesmos, e não há nada, nem palavra que cure esse processo, a não ser o tempo, nosso próprio tempo, natural e divino.
Hoje eu posso dizer, ainda aqui dentro dessa fenda no tempo das lembranças, que eu tenho muita saudade de algumas coisas que deixei, umas eu quis muito resgatar, mudar, retomar, mas a vida não permitiu, elas escorreram pelas minhas mãos, pode até ter sido obra do destino, mas hoje eu sou o resultado de tudo que deixei, sonhei e criei.
Sempre me emociono quando penso no passado e me assusto com as incertezas do futuro, sei que ele só existirá quando eu começar a construí-lo no presente, pois neste exato momento, aqui enquanto vos falo, um turbilhão de energia criadora fluí, solta pelo ar, e só será privilegiado aquele que perceber suas fendas atemporais das lembranças e dos sonhos, como a centelha divina que resgata a chama da vida.
Hoje eu vivo o que fui, e construo o que serei.
Beijos de Luz em sua alma,
Camila K. Marchiodi
Lindo para reflexões, palavras que irão viajar eternamente pelo meu ser; imortais...
ResponderExcluirAMEI.... FALOU SOBRE MINHA VIDA E COMO MINHA ALMA VIVE...
ResponderExcluirBEIJOS